Entrevista com Roberto Kraenkel, do Instituto de Física Teórica (IFT) da Universidade Estadual Paulista (Unesp)

As análises estatísticas sobre o curso da pandemia têm se mostrado ferramentas valiosas nas estratégias de mitigação. Quais são os principais fatores que permitem a realização de tais estudos? E quais foram as análises realizadas pelo seu grupo consideradas mais relevantes?

O principal fator que permite análises estatística precisas é o acesso a bases detalhadas dos casos, em particular a base Sivep-Gripe anonimizado. Com isto é possível estudar a epidemia por data de primeiros sintomas e por data de óbitos, mitigando o grave problema de atraso de notificação

As principais análises estatísticas do Observatório Covid-19 BR são o nowcasting de casos e o cálculo do número de reprodução efetivo (R(t)), que só são possíveis devido ao acesso à base acima mencionada.

 

Mesmo sem conhecer tudo sobre o comportamento do vírus, temos muitas análises sobre aspectos como padrões de contágio, disponibilidade de leitos e capacidade do sistema. Como seria o combate à doença sem essa inteligência de dados que permite a construção de modelos e antecipação de cenários futuros?

A disponibilidade de dados, o conhecimento da teoria epidemiológica e a capacidade de análise de fatores relevantes está na base do estudo quantitativo da epidemia.  Há tanto a necessidade e análise estatística de dados, quanto a calibragem de modelos a partir de dados. Esta são áreas em que inteligência de dados é fundamental.

 

Comente um pouco sobre os principais estudos realizados e a utilização deles na tomada de decisões em políticas públicas.

Nós usamos dados detalhados dos casos para calcular o número de casos severos ativos no presente, um processo chamado de nowcasting, que permite antecipar tendências das c curvas epidêmicas.  Este estudo está na base de outros estudos, comunicados à autoridades e postas a disposição do público em um site.  Em geral, trabalhamos com projeções curto e médio prazos e avaliação da situação atual visando fornecer análises bem fundamentadas.

 

Sabemos que a qualidade das informações disponíveis para as análises e posterior tomada de decisão é fundamental e atualmente temos dados para embasar diversos modelos e projeções. Em que aspectos desse cenário podemos avançar ainda mais?

No caso de saúde pública a maioria dos dados é pública, mas a transparência destes dados é pequena.  Há atualmente dados sobre o número de casos graves de COVID-19, mas não há, por exemplo, dados sobre iniciativas de testagem e rastreio.  Dada a ausência de coordenação do governo federal, conforme estados ou cidades específicas pode-se ter dados mais específicos.  Para ir além das bases de casos de notificação obrigatória, há no Brasil, uma verdadeira caça de dados locais, mais ou menos bem sucedida.

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