Entrevista com Lorena Barberia, do Departamento de Ciência Política da USP e da Rede de Pesquisa Solidária

Confira abaixo nossa entrevista com Lorena Barberia, Professora doutora do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo e coordenadora científica da Rede de Pesquisa Solidária, grupo multidisciplinar que reúne pesquisadores de diversas instituições para calibrar o foco e aperfeiçoar a qualidade das políticas públicas do governo federal, dos governos estaduais e municipais que procuram atuar em meio à crise da COVID-19 para salvar vidas.

 

1) De que forma os dados do painel Covid Radar são utilizados pela Rede de Pesquisa Solidária?

Os pesquisadores têm consultado o painel, e monitorado as novas informações sendo disponibilizadas para avaliar se podem ser utilizadas em estudos futuros. As ferramentas comparativas e de simulação são excelentes.

 

2) Quais são os principais desafios do Brasil neste momento da pandemia?

Acredito que essa pergunta pode ser sintetizada com as conclusões de nosso último boletim.  A pandemia continua grave, as políticas públicas falham por ser fragmentadas e contraditórias. A adesão da sociedade ao distanciamento social está diminuindo. Novas ações são necessárias.

 

3) Mesmo sem conhecer tudo sobre o comportamento do vírus, temos muitas análises sobre aspectos como padrões de contágio, disponibilidade de leitos e capacidade do sistema. Como essas informações podem ser utilizadas para definição de políticas públicas?

Na rede, temos procurado alertar que na ausência de uma vacina, precisamos reforçar 1) testagem (RT-PCR especialmente) e dados correspondentes (demora em notificação e diferenças entre estes dados na rede pública e privada) em cada estado e cada município; 2) reforçar políticas de distanciamento físico; 3) monitorar e reforçar a adesão ao distanciamento físico (além de dados de mobilidade) pelos indivíduos e pelas empresas; 4) monitorar a distribuição de recursos de saúde nos sistemas públicos e privados em cada estado e município (e.g. leitos de UTI, profissionais de saúde); 5) indicadores de rastreamento de contatos e isolamento proativos de surtos em determinadas regiões e bairros.

Há também que entender que não há como fortalecer o distanciamento físico sem fiscalização e sem incentivos e proteção social que reforça e apoia a capacidade das pessoas de permanecer em casa.

 

4) No último boletim, a Rede de Pesquisa Solidária recomenda aumentar a disponibilidade e realização de testes RT-PCR. Por que isso é tão importante?

Os testes de RT-PCR são super importantes porque este é o melhor tipo de teste para diagnosticar casos com infeção ativa do vírus. Não detectamos que há esforços para usar esses testes em vários estados.

Com indicadores como a média de dias passados entre a data da realização do teste e a data de notificação do resultado ao paciente, poderíamos melhor entender se as pessoas estão sendo notificadas em tempo suficiente para o melhor encaminhamento médico e rastreamento das pessoas que podem ter sido infectadas e, ainda, se as demoras na notificação estão localizadas em certas regiões no estado, ou em certos bairros.

 

5) Um dos pontos comentamos por vocês é que o grau de permanência em casa não é muito superior nos estados em que as políticas de distanciamento foram mais rígidas. Como temos visto alguns estados flexibilizando as medidas de distanciamento, podemos esperar que as taxas de isolamento caiam ainda mais? Qual será o impacto disso na evolução dos novos casos e na implementação e planejamento de políticas públicas de enfrentamento à pandemia?

Há vários fatores que estão influenciando a queda de adesão as medidas de distanciamento físico. Precisamos lembrar que essas são as medidas que tem sido muito importantes na ausência de testagem em massa, isolamento de casos positivos e isolamento de infectados. No contexto atual, nossos boletins tem alertado que há um elevado nível de risco em todos os estados da federação. Nesse contexto, é importante os estados, especialmente os casos com níveis mais alto de risco, de tornar as medidas mais rígidas. Ao mesmo tempo, precisamos de uma maior coordenação entre estados e entre regiões. Nos países que tiveram mais sucesso em reduzir casos, a coordenação foi central.

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