América Latina é atual epicentro da Covid-19, aponta BCG

No entanto, análise da consultoria aponta que o aumento de casos diários do continente, que agiu cedo no combate à pandemia, é menor que na América do Norte, África e Ásia, onde o vírus parece se espalhar mais rapidamente

Com a marca de 2,6 milhões de casos confirmados e 118 mil mortes até o início de julho, a América Latina é o atual epicentro mundial da Covid-19. Conforme análises realizadas pelo Boston Consulting Group (BCG), em junho o continente foi responsável por 36% dos casos e 46% das mortes registradas em todo o mundo. No entanto, o avanço no número de casos da ordem de 1,2% ao dia está abaixo das taxas registradas na América do Norte, África e Ásia, onde o vírus parece se espalhar mais rapidamente.

O tempo de resposta e a intensidade das medidas restritivas adotadas pelos países latino-americanos oferece um retrato do avanço da doença na região. Enquanto países como Argentina, Peru, Colômbia e Bolívia tomaram medidas mais severas nos estágios iniciais da doença, as iniciativas no Brasil, Uruguai e Chile foram mais brandas e um pouco mais tardias. Outra característica da região foi a mudança de estratégias ao longo da pandemia, como a Argentina, por exemplo, que adotou inicialmente um lockdown severo, com relaxamento nas últimas semanas. O Chile, ao contrário, precisou apertar as medidas de restrição na batalha contra a covid-19 para conter um grande surto da doença na capital, Santiago.

Mas, de forma geral, segundo o BCG, os países da América Latina conseguiram agir mais cedo no combate à Covid-19, em comparação às nações europeias, por exemplo, já que o vírus demorou mais tempo para chegar no continente latino-americano.

O BCG também observa impactos distintos nas curvas epidemiológicas na região. No grupo de países que tomaram medidas mais restritivas logo no início da pandemia, apenas o Peru apresentou uma curva de contágio acelerada, enquanto Argentina, Colômbia e Bolívia conseguiram conter mais efetivamente a escalada de casos até o momento. Já entre os que adotaram medidas mais brandas e tardias, Brasil e Chile viram o número de casos subir de forma significativa. O Uruguai, por sua vez, foi o único desse grupo a evitar uma escalada brusca da infecção, o que em parte pode ser justificado pela adoção de uma estratégia de testagem em massa logo no início da pandemia.

Um olhar mais atento sobre o Peru mostra que a curva de casos bastante agressiva pode estar relacionada algumas especificidades do país. Por exemplo, 40% das famílias não possuem geladeiras em casa, o que provoca aglomerações em supermercados, mesmo em um estado de lockdown. Além disso, 62% dos adultos não possuem conta bancária, o que fez com que os peruanos fossem pessoalmente aos bancos para sacar os benefícios distribuídos à população pelo governo federal. Outro ponto que favorece a disseminação da doença nesse país é a alta concentração de lares multigeracionais e com um alto número de pessoas, facilitando o contágio dentro das famílias.

Estratégias e impactos na América Latina

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